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Coronavírus: Como funcionam as vacinas e testes?

Atualizado: 14 de jun. de 2021

O que são os vírus?

Os vírus são microrganismos acelulares (não possuem células) e são formados por um ácido nucléico, que pode ser DNA ou RNA (material genético) e por proteínas que formam um envoltório, denominado capsídeo, que tem como principal função, proteger o material genético do vírus. Por serem acelulares, os vírus dependem de todo aparato metabólico de outros organismos, para se multiplicarem e continuarem infectando. Por isso, são chamados de intracelulares obrigatórios, ou seja, são obrigados a infectar as células de outros organismos para se reproduzirem (SEHNEM, 2015).


Figura 1 – Composição de um vírus

Fonte: UFRGS (2020)


O Coronavírus

O Coronavírus (SARS-CoV-2) é um vírus zoonótico, ou seja, pode ser transmitido de animais para humanos, e é um vírus de RNA (ácido ribonucleico) que é o material genético do vírus. Pertence à família Coronaviridae, juntamente com o SARS- CoV - vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave – e o MERS-CoV - Síndrome Respiratória do Oriente Médio (LIMA, 2020).

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou oficialmente a pandemia de Covid-19. Sabe-se que o indivíduo infectado pelo coronavírus, pode não apresentar sintomas (assintomático)e, em outros casos, pode manifestar sintomas leves como dor de cabeça, febre, tosse, dores musculares, falta de ar e fadiga. Em um estágio mais crítico da doença, o Coronavírus pode ocasionar insuficiência respiratória, choque e falência de múltiplos órgãos (VIEIRA; EMERY; ANDRIOLO, 2020).


Testes clínicos

Os testes mais utilizados para a identificação do coronavírus são os testes moleculares e os testes sorológicos rápidos. O teste molecular é responsável por detectar o material genético do vírus em amostras coletadas do paciente. Atualmente, o teste molecular mais eficiente é o RT-PCR (Reação em Cadeia de Polimerase), e pode ser realizado a partir da coleta de material do trato respiratório superior ou do trato respiratório inferior. O período recomendado para a realização desse teste é de 3 a 7 dias aproximadamente, após o início dos sintomas (FIOCRUZ, 2020).

Fonte: Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (2020)


Quando um indivíduo é infectado por um vírus ou outro agente capaz de causar uma doença, o organismo começa a produção dos anticorpos. Os anticorpos são glicoproteínas, comumente chamadas de imunoglobulinas, e tem como função garantir a defesa do organismo, evitando que um agente invasor cause danos à saúde.

Os testes sorológicos para o diagnóstico da Covid-19 têm o objetivo de detectar os anticorpos específicos da doença, que o nosso organismo produz em resposta à infecção pelo coronavírus. Os mais utilizados atualmente são o teste por imunoensaio enzimático (Elisa) e o teste por imunoensaio quimioluminescente (Clia) (FIOCRUZ, 2020). O período recomendado para a realização desse teste é após 10 dias aproximadamente, desde o início dos sintomas.

Existem também os testes rápidos, que são similares aos testes de gravidez encontrados em farmácias, onde se utiliza algumas gotas de sangue da pessoa a ser testada. O sangue passa por uma fita absorvente e chega até a área onde está o reagente – uma substância que em contato com os anticorpos, muda de cor, indicando a presença deles na amostra.

Caso o indivíduo tenha produzido anticorpos para o novo coronavírus, duas faixas coloridas aparecerão no mostrador e o resultado será positivo. Caso o sangue não apresente anticorpos, aparecerá apenas uma faixa e o resultado será negativo. Se o mostrador continuar branco, o teste falhou e deverá ser refeito. A vantagem desses testes seria a obtenção de resultados rápidos para o tratamento imediato da doença. No entanto, a maioria dos testes rápidos não possuem uma eficácia tão boa quanto outras metodologias, o que acarreta a incerteza dos resultados (SOUSA et al, 2020).


Vacinas

O nosso organismo produz uma resposta natural ao agente patogênico que o infecta. Agentes patogênicos são bactérias, vírus, parasitas ou fungos que podem causar doenças. Cada agente patogênico possui partes geralmente exclusivas dele, e a parte que inicia a formação de anticorpos é chamada de antígeno (SEHNEM, 2015).

Os anticorpos, como dito anteriormente, são mecanismos de defesa do nosso organismo, e cada anticorpo reconhece um antígeno (invasor) específico. Porém, quando o corpo humano é exposto a um antígeno pela primeira vez, o sistema imunológico leva tempo para começar a produzir anticorpos específicos para esse antígeno, fazendo com que o indivíduo possa adoecer.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (2020)


Após a produção dos anticorpos específicos, o sistema imunológico começa a atacar o agente causador da doença. Quando o corpo produz anticorpos, também cria células de memória que produzem anticorpos e permanecem vivas mesmo depois de o agente patogênico ser eliminado do organismo. Isso faz com que, diante de uma nova exposição ao mesmo agente patogênico, a resposta do anticorpo fique mais rápida e eficaz do que na primeira exposição, já que as células de memória estão prontas para disparar anticorpos contra o antígeno, protegendo a pessoa contra a doença.

Para agilizar o processo de produção de anticorpos pelo organismo, são desenvolvidas as vacinas. Elas são compostas por partes enfraquecidas ou inativadas de um determinado antígeno, que não causará a doença no indivíduo, mas que estimulará uma resposta imune do corpo.

Algumas vacinas necessitam de outras doses, separadas por semanas ou meses. Isso é necessário para a produção de anticorpos de longa vida e o desenvolvimento de células de memória. Dessa forma, o corpo fica treinado para combater o agente causador da doença específica (OMS, 2020).


Imunidade de Grupo

Alguns indivíduos com doenças que enfraquecem o sistema imunológico, ou que tenham alergias graves a componentes da vacina, não podem ser vacinados. Porém, ficam protegidos se estiverem entre pessoas vacinadas. Isso ocorre porque, quando há muitas pessoas imunizadas na comunidade, o agente patogênico tem dificuldade em circular. Por isso, quanto mais pessoas forem vacinadas, menos pessoas, que não podem ser imunizadas, ficam expostas aos agentes patogênicos perigosos.


Os diferentes tipos de vacinas COVID-19

Existem três abordagens principais para criar uma vacina: a que utiliza o agente patogênico inteiro; a que utiliza apenas partes do agente patogênico que estimula o sistema imunológico; ou a que utiliza somente o material genético para produzir proteínas específicas (OMS, 2020).

Fonte: Organização Mundial da Saúde (2020) - adaptado


As vacinas que utilizam vírus inteiros podem ser divididas em três:

  • Vacina inativada: Inativa ou mata o vírus utilizando produtos químicos, calor ou radiação. É assim que as vacinas contra gripe e poliomielite são feitas.

  • Vacina atenuada ao vivo: Usa uma versão viva mais enfraquecida do vírus ou uma que é muito semelhante. A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola e a vacina contra varicela são exemplos desse tipo de vacina.

  • Vacina vetorial viral: Usa um vírus seguro para fornecer proteínas do agente patogênico de interesse para que possa desencadear uma resposta imune sem causar a doença. A vacina contra o ebola é vetorial viral.

A vacina que contém partes do vírus, utilizam proteínas ou açúcares dele próprio. A maioria das vacinas no calendário infantil são exemplos dessa vacina, protegendo as pessoas de doenças como coqueluche, tétano, difteria e meningite meningocócica (OMS, 2020).


Vacinas contra a COVID-19 no Brasil e no Mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 200 vacinas contra a COVID-19 estão sendo estudadas, e mais de 60 destas se encontram na fase de experimentação em humanos.

No Brasil, foram autorizados para uso emergencial, lotes das vacinas Coronavac (vírus inativado) e Oxford/Astrazeneca (vetor viral). A Coronavac é do laboratório SinoVac em parceria com o Instituto Butantan. Já a vacina de Oxford é do laboratório AstraZeneca em parceria com a Fiocruz (REDE D’OR SÃO LUIZ, 2021). Lotes da vacina da Pfizer, em parceria com a empresa alemã BioNTech, também foram autorizados e distribuídos pelo país. Essa vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (material genético do vírus) (PFIZER, 2021).


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