"O serviço de entrega da Kiki", uma reflexão sobre amadurecimento e propósito.
- Giovanna Pecorari Coelho
- 14 de jun. de 2023
- 3 min de leitura
**Sobre a autora: Giovanna é formada em Ciências e Humanidades e é estudante de Ciências Econômicas na Universidade Federal do ABC, tem 22 anos, atualmente mora em São Bernardo do Campo, vive boa parte do seu tempo em São Paulo, onde trabalha com inovação aberta e tem suas raízes no interior de São Paulo em Piracicaba. Seus interesses principais são Economia Comportamental, Inovação, música, Desenvolvimento Socioeconômico e questões sociais.
Quando eu era criança, aos domingos, meu pai costumava me levar ao cinema do SESC. Cada semana era um filme diferente e como eu era muito nova, não me lembro bem quais eram. Me recordo apenas da sensação, do frio na barriga por esperar esse dia chegar e do conforto de ver um desenho super legal, num lugar diferente da minha casa.
Ontem, por acaso, acessei esse antigo sentimento ao assistir "O Serviço de Entregas da Kiki" (1989) (disponível no netflix), uma animação aconchegante, mas também instigante dos Studios Ghibli. Senti uma nostalgia, como criança novamente. Algumas cenas depois, concluí que já havia visto o filme, com o meu pai, naquele mesmo cinema.
O longa de 1989, nos conta a história da bruxinha Kiki. Neste mundo, a partir dos 13 anos, as bruxas devem sair de casa para encontrar uma cidade nova que possam morar e entenderem seus propósitos. A Kiki, acha essa ideia incrível e, cheia de energia e disposição, sai voando em sua vassoura em busca de um novo lugar com o seu gato preto. Não contarei toda a história, para deixá-los instigados. Porém adianto: se você está passando por mudanças na sua vida, na sua carreira, por um processo de amadurecimento, talvez essa seja uma ótima sugestão.
Sem dar muitos spoilers, a Kiki encontra uma cidade bem grande e de frente para o mar, assim como queria. Conforme a narrativa avança, algumas coisas não saem como o esperado, e no caminho ela começa a prestar serviço de entregas expressa, voando em sua vassoura.

A trajetória de Kiki, além de proporcionar divertidas aventuras, nos faz refletir sobre a importância de seguirmos a nossa própria jornada e termos coragem para enfrentar as dificuldades da vida. Ela nos conta sobre a construção de identidade, amadurecimento, busca de propósito e nos recorda sobre a relevância da empatia e da conexão com as pessoas.
No começo da jornada, Kiki e seu gatinho Jiji são parceiros inseparáveis, a ponto de Jiji conseguir falar com uma voz humana. No final, entendemos que eles continuam amigos, mas cada um segue seu caminho. O gato construiu uma família e não emite mais falas, mas sim miados - evidenciando mais uma metáfora para o amadurecimento. Agora que ela cresceu, ela não tem mais a mente e criatividade de uma criança, mas manteve seu brilho e o laço com o seu amigo. Essa é apenas uma das diversas lições sobre amizade que essa história nos proporciona.
Apesar de ser uma animação, é muito além de uma narrativa para crianças e faz até mais sentido quando você assiste sendo adulto. É um filme antigo que permanece atual e traz sensações que são muitas vezes esquecidas na rotina de uma vida adulta. É uma história sobre o amadurecimento dos nossos sentimentos, das amizades, das nossas capacidades e do autoconhecimento.
É poética a habilidade que essa animação tem de proporcionar a reconexão com nós mesmos e lembrarmos por alguns instantes das nossas vivências, da nossa existência como seres humanos e interpretá-las. Afinal, qual é o nosso propósito nessa vida?
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